A COMPLEXIDADE MINHA OU PORQUE SEMPRE ME FOI TÃO DIFÍCIL SER FELIZ Meu primeiro pensamento sempre que volto no tempo e busco lá atrás nos meus primeiros anos de infância a minha memória mais remota, esbarro na figura de minha avó. Vejo-me debruçado numa bacia com água, ela – minha avó – postada a meu lado, eu contemplando um eclipse solar. E isso não sei dizer assim de imediato se me alegra, o que sei simplesmente é que sinto uma ausência, uma espécie de lacuna entre eu e o mundo que me rodeia. Isso no momento preciso em que esse pensamento me ocorre. Quando criança provei o que os adultos sentenciam como: criança mimada. Ou seja, tive tudo que quis, no momento em que desejei. Era essa a prontidão de meus avós para comigo. A maneira de demonstrarem que eu era tudo que eles mais amavam na vida. E fui embalado por anos nesse berço azul, recoberto por um véu protetor. O véu do carinho, do sublime deleite de se ver protegido, quando não socorrido e até diria impossibilitado...