HERMAGON - O ROMANCE: CONTINUAÇÃO - 05/05/21019
ataque
...No entanto, arrisquei-me vir
até Hermagon, pois considero injusto que não tenhas a oportunidade de
preparar-te contra o levante que há de vir da parte do território de Egolam.
O rei Medrak, sentado em seu trono, apoiou a testa numa das mãos e por
instantes se fez silêncio entre ele e Lion, o cavaleiro.
Porém não demorou muito para que Medrak sentenciasse o que pretendia
fazer frente a situação perturbadora que se encontrava:
- Nobre cavaleiro, não há palavras que possam expressar minha gratidão
por teu ato não só de bravura mas também
digno de verdadeira justiça ao vir até meu reino, inteirar-me do que se passa.
Sei que partes antes do anoitecer como disseste para que não sintam tua falta
em Egodam.
Esteja certo de que seus préstimos me foram de grande valor. Espero que os
deuses permitam que ainda venhamos a ter nossos caminhos cruzados, por um
benfazejo desígnio.
Garanto-te que providenciarei para que ainda hoje inicie-se uma
investigação sobre o assassino de vosso Rei, bem como preparei o povo de
Hermagom, para a guerra que virá por sobre nós.
Agora, permita-me que lhe sagre e abençoe com tua espada, antes de
partir de meu reino.
Lion desembainhou sua espada e passou-a as mãos de Medrack, que o sagrou
e abençoou.
Em seguida após reverenciar o senhor das terras de Hermagom, virou-se
rumo à saída do castelo real, atrelou-se a sua montaria e partiu.
PARTE IV
CAPÍTULO I
Após a partida do cavaleiro Lion vindo de Egodam, o rei Medrak
permaneceu por longo tempo sentado em seu trono.
Sentia-se desorientado, todo o relato de Lion, o cavaleiro, passava por
sua mente e, parecia ao rei um terrível pesadelo. Como se deram esses acontecimentos
sem que ele tivesse conhecimento? Como seu sobrinho havia conseguido regressar
a salvo de Egodam? Ele se quer se perguntara isso, tamanha foi sua alegria ao
tê-lo de volta. E quem seria o assassino de Beliel? Quem tivera a coragem de
abater o terrível tirano de modo tão trágico? Quem em Hermagom seria esse celerado?
Afinal, o caráter corrupto e facínora daquele rei, não justificava uma morte
desta natureza.
Todas essas indagações provocavam profunda inquietude no espírito de Medrack. Quando menos esperou ouviu alguém chamá-lo:
- Medrak!
- Estou aqui? – respondeu.
- Ora não o vejo desde a refeição da manhã. – Era Susana que vinha ter
com o irmão – Mas, o que se passa? Esta abatido e pareces cansado.
Neste instante, adentra pela janela esquerda da sala real, a qual estava
com as cortinas abertas, um corvo, que voando passa por sobre a cabeça de
Susana, chegando quase a enroscar-se em seus cabelos.
Ela solta um grito de pavor. Medrak levanta-se do trono, tange a ave
agourenta para fora e acolhe a irmã nos braços.
Esta quase desmaiou de susto.
Medrack confortou-a e disse:
- Isto não foi nada. Não passa de uma ave desorientada que adentrou o
salão real.
Susana consente em silêncio, e com os olhos marejados de lágrimas sussurra:
- O corvo parecia querer atacar-me propositalmente. Quase enrosca-se em
meus cabelos.
- Nisso uma serva adentra a sala avisando que o almoço já pode ser
servido.
Medrak e Susana dirigem-se ao salão de refeições.
Sentam-se: o rei a cabeceira da mesa, ela a sua direita.
Chega Duran que toma lugar a direita da esposa.
O rei então indaga:
- Ora esta onde está Sidrack?
Uma das servas responde:
- Estará aqui em minutos, chegou da campo há pouco tempo.
- Bem sirva-nos, então. –Disse Medrack ainda com ar soturno e semblante
esmorecido.
Duran deu-se conta de que algo havia de errado pelas feições do rei.
Perguntou-se o que poderia ser. Quem sabe tenha descoberto algo da trama que
houve em Egolam. Sentiu-se amedrontado. Ainda assim, com voz segura se dirigiu
ao rei:
- O rei Medarck parece-me preocupado e abatido? Aconteceu alguma coisa
séria?
Medrack balançou a cabeça de forma negativa e disse:
- Não amanheci sentindo-me bem. – Porém estou certo de que um repouso
após a refeição me regenerará as forças.
- Assim espero! – Exclamou Susana. Duran consentiu com a cabeça.
Medrack acabava de se sentar a mesa. Alegre e jovial, saudou a todos,
acrescentando:
- Nossa estou mesmo com fome. Comeria esta coxa de cabrito assado
sozinho. – Referindo-se à carne assada no centro da mesa.
Ele foi o único a não comentar sobre o abatimento, o estado taciturno em
que se encontrava o pai. Na certa inebriado pelo encanto de seu amor jovial.
Pelo passeio com Aneliz pela manhã. Não apercebeu-se da tristeza que seu pai
não conseguia ocultar.
Além do que Sidrak ainda se encontrava naquela idade em que muitas vezes
não se dá conta com a mudança das emoções de uma pessoa por seu semblante...
Bem mas, seja lá por qual motivo for, foi o único que nada comentou. E,
terminando o almoço, pediu licença e retirou-se.





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