HERMAGON O ROMANCE... CONTINUAÇÃO
Duran é claro estranhou o regresso de
Medrak sem um comunicado por parte da trama tecida com o rei Beliel, procurou
Garek e este, conforme o prometido à rainha Susana disse em nada desconfiar de
como podia ter-se dado o regresso repentino do príncipe ao castelo do pai.
Então Duran conseguiu contato com os ambientes sagrados do templo para
que a sacerdotisa vinda das terras de Beliel ficasse atenta e o participasse
caso houvesse qualquer rumor sobre o assunto. Isso uma vez que Garek
recusou-se, prontamente em ir até as terras de Beliel para trazer de lá alguma
novidade.
CAPÍTULO III
Um noviço que servia no templo sagrado passeava pelas redondezas do
castelo. Casualmente Duran o avista do umbral de um dos janelões do castelo
real. Vai até o jovem neófito e questiona-o se tudo corre bem nos ambientes
sagrados, indaga de quais são os comentários sobre o regresso do príncipe Sidrak.
Este então diz que murmura-se
um possível acontecimento terrível no
reinado de Beliel. Duran aproveita-se então do ensejo e pede ao noviço
permissão para um contato com a sacerdotisa vinda do reino de Egodam. O noviço
observou que ela tinha feito voto de silêncio.
Duran então falou mansamente:
- Ó gentil e dócio neófio não desejo ouvir nada dela. Desejo mesmo
falar-lhe. Participar algumas palavras e nada mais.
O noviço então disse que tomaria providência para que, no início da
tarde, ela fosse até a fonte do jardim do templo e esperasse por Duran ali.
Duram regressa a seus
aposentos no castelo, e o noviço por sua vez, intrigado no que poderia o
cunhado do rei querer ter com uma sacerdotisa do templo. Regressa aos ambientes
sagrados do reino.
Enquanto isso em Egodam, passadas as exéquias do rei assassinado no próprio
trono, a vida prosseguiu. O povo aguardava mesmo ansioso, o anúncio da subida
ao trono do príncipe Meríades, único herdeiro por direito.
Já se passara quase dois meses do falecimento do rei. E já era chegado
mesmo momento do anúncio da posse do próximo monarca.
No terceiro mês, no dia do aniversário de falecimento do pai, Meríades
dá ordem para que se reúna o povo no pátio perante o castelo, pois tinha
um comunicado importante a fazer.
Nem mesmo Ília, imaginava a natureza deste comunicado. Sua madrasta
assim como povo, acreditava que o príncipe haveria de comunicar a data de sua
posse do trono de seu falecido pai.
Em verdade, o acontecimento da trágica morte do rei, provocara transformações
profundas no jovem príncipe. Jovem dotado de mansidão e sentimentos sublimes,
alimentando na juventude a esperança de algum dia ver mudanças no comportamento
tirânico do próprio pai, enquanto rei. E acima de tudo rapaz religioso, freqüentador
dos cerimoniais sagrados. Parecia agora um outro homem. Durante aqueles três
meses, o pouco que saiu de dentro do castelo, onde encerrava-se solitário,
todos os que o viam, percebiam diferença em suas feições.
O povo assombrou-se numa manhã em que caminhava numa das praças ao redor
do castelo. Alguns plebeus dele se aproximavam, inclinando-se e saudando-o com
pesar. Um homem maltrapilho do povo, inesperadamente então, atira-se aos pés do
príncipe e diz:
- O amado príncipe me doe muito a perda de seu pai. Ainda assim
suplico-lhe um tostão majestade.
Foi quando Meríades enfurecido, toma do rebém que trazia consigo, pois
havia deixado a certa distância seu cavalo. E começa a açoitar violentamente o
pobre homem vergado a seus pés, esbravejando:
- Imprestável mendigo, atira-se por sobre mim nestes trajes rotos.
Exalando um odor terrível. E ainda me pedindo dinheiro.
O pobre homem então afastou-se em lágrimas suplicando mil perdões ao
nobre príncipe.
Neste mesmo dia, ao regressar ao castelo, encontra sua madrasta e para
surpresa desta, lhe dirige a palavra mansamente dizendo:
- Ó cara Ília, perdoai-me se até o dia de hoje sempre lhe fui
indiferente. Imagino a dor que não abrigas no peito, pelo horror da cena que comigo
contemplaste no trono de meu pai.
Doravante garanto-te que serás mais
participante nas decisões e acontecimentos deste castelo. Afinal pretendo ser
rei e não possuo consorte que me seja por rainha. Bem como nem sei se isso tão
cedo virá a acontecer. Então és sem dúvida aquela que comigo reinará por sobre
as terras de Egolam.
Ilía emocionada com as palavras do enteado vira as costa e retira-se
chorando, e com as mãos a recobrir o rosto.
Naquele dia ainda, Meríades convoca um dos escribas do castelo e dita a
este as seguintes palavras, que deveriam ser lidas ao povo no pátio do castelo.
Era aniversário de falecimento do rei Beliel.

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