HERMAGON - O ROMANCE: Continuação








CAPITULO III


    

         
           As terras de Egodam eram vastas. O reinado de Beliel estendia-se desde o nascente ao poente, desde o norte ao extremo sul, praticamente por sobre terras férteis. Razão pela qual ser tão rico e afortunado o rei em seus domínios.
         No entanto, justamente para as bandas do poente havia uma densa floresta, pouco conhecida pelos habitantes do reino em geral. Para além desta floresta, na qual havia inclusive várias regiões pantanosas. Havia na direção do extremo oeste um precipício, que dava em parte para o mar que banhava também aquela região do território de Egolam.
         Susana impacientava-se a cada dia mais e mais com a situação em que  se encontrava seu sobrinho Medrak, cativo nos territórios do rei Beliel. Como foi dito intrigou-a saber que nos recintos sagrados do templo dos sacerdotes e sacerdotisas de Hermagon encontrava-se aquela enigmática sacerdotisa, vinda sabe-se lá de onde. Senhora de um voto de silêncio.
         Permaneceu por mais de quinze dias procurando não demonstrar ao rei Medrak seu irmão o pesar em seu coração, perante a situação que enfrentavam.
        Foi quando uma ideia lhe ocorreu. Lembrou-se do soldado Garek, homem que tinha como de extrema confiança, justamente  aquele que partira rumo à busca de ajuda e aliança com o território desconhecido de Egolam  em companhia de Sidrak.
         Deu ordens então Susana a um de seus servos, pedindo a este extremo sigilo, que procurasse uma forma de participar ao soldado Garek que tratasse este de encontra-la dentro de três dias num local por ela determinado, para além das muralhas do castelo de Hermagom, pois precisava urgentemente de um contato pessoal com este.
      






       E assim se deu. O servo de Susana passou o recado ao soldado, o qual no dia combinado tratou de rumar junto ao local determinado pela rainha.



CAPÍTULO III
    


       Ao aproximar-se do local o saldado Garek avistou logo ao longe sua senhora a rainha que o aguardava ansiosa, próximo a um carvalho  retorcido, meio que oculta na mata que mais semelhante a um campo de trigo se assemelhava, naquele local bucólico não muito distante do castelo, onde o soberano Medrak  àquela hora, na certa repousava, pois pouco passava da hora da refeição do meio dia.
     Garek estava nervoso, intranquilo e cismado, pois não atinava que assunto tão importante teria a rainha, sua senhora, a tratar com ele de modo tão discreto e que exigia tanto sigilo.
      Achegou-se a ela, e foi logo saudando-a com reverência, dobrando os joelhos como aguardando de Susana sua bênção, como era costume dos chefes de armas do reinado.
    Susana havia providenciado que seus soldados, os de seu guarda pessoal a acompanhassem e orientados por ela contivessem Garek, imobilizando-o, bem como amordaçando sua boca para que evitasse que este soltasse qualquer grito de alarde.
















CAPÍTULO IV



     Tudo isso aconteceu sem que o rei Medrak tivesse conhecimento.
     Susana confiou em sua intuição feminina, que lhe dizia que, certamente um dos soldados de confiança de Duran seu marido  fosse
capaz de esclarecer o mistério que envolvia o cativeiro do príncipe Medrak seu sobrinho nos territórios de Beliel senhor das terras de Egolam.
       Susana então disse a Garek que permanecesse em silêncio e foi logo o repreendendo para que a escutasse com atenção sem interrompe-la em suas palavras. Ao que este consentiu inclinando a cabeça.
      - Ouça com atenção Garek, você desde o início de sua jornada até o território de Egolam tem acompanhado tudo que se passa em nosso reinado quanto ao aprisionamento do príncipe Sidrak. Você agora vai me revelar com detalhes o que se passa quanto as relações do rei Beliel e o nosso reinado. Não omita nada, pois caso venha eu a descobrir que está a trair seu rei, serei a primeira exigir que seja conduzido ao cadafalso. Portanto se presa sua vida é bom que não me oculte nada.
      Garek apesar de valente soldado da guerra sentiu-se aterrorizado com a ameaça de sua senhora a rainha. Então pronunciou tibiamente as seguintes palavras:
      - Minha senhora tenha misericórdia de mim e eu lhe narrarei tudo que vem se sucedendo.
      Prosseguiu então Garek num relato detalhado no qual revelava os planos de seu marido Duran, toda a tramoia que estava sendo tecida entre ele e o rei Beliel.
      Terminado o relato de Garek, Susana acrescentou:
      - Muito bem e quanto a sacerdotisa recém iniciada no templo o que me diz, sabe algo que possa compromete-la? Ao que o soldado respondeu ter sido enviada por Beleil para as terras de Hermagom, a pedido de Duran seu esposo.
       - Agora quero que você jure fidelidade mais uma vez a seu rei e a mim, e como conheceu bem o território de Egolam me diga como seria possível eu adentrar o reinado sem ser percebida. Ao que Garek respondeu:
     - Minha senhora é muito arriscado pensar em sozinha adentrar aquele território. Porém já que me ameaça de morte e eu, sinceramente lhe confesso arrependido de tudo que fiz, posso tentar lhe instruir uma maneira de ter acesso ao castelo.
Há no território uma densa mata, região inóspita mesmo. Caso consiga vencer a travessia por esta floresta poderá se aproximar do castelo de Beliel sem despertar atenção da guarda do rei.
       - Indicarei a minha rainha o caminho que leva ao alto de uma colina de onde se pode do alto observar o território. De lá verá a floresta à qual me refiro. Para chegar a essa colina basta que siga sempre rumo ao poente.
       - Muito bem guarde completo sigilo de tudo que conversamos, pois amanhã mesmo eu partirei para as terras de Egolam e com a ajuda dos deuses darei cabo a toda dor e sofrimento que esse maldito rei tem causado a mim e a meu irmão o rei Medrak. E atente para que Duran não desconfie de nada. Nenhuma palavra a ninguém do que conversamos aqui deve ser revelada.
       - Certamente minha rainha, e mais uma vez lhe imploro perdão por ter sido fraco, homem sem brio e me envolvido em tudo que narrei.
      - Agora vá. – Ordenou Susana.
      Garek se retirou de diante de sua senhora, que dispensou também sua guarda pessoal. Precisava estar só para se preparar para o plano que tinha em mente. Sabia que a salvação de seu reino agora estava em suas mãos.
       Voltou ao castelo e deu ordens para que apeassem seu cavalo, pois sairia numa jornada. Foi até o rei seu irmão e participou a este que pretendia se ausentar por uns dois dias do castelo, mas que não se preocupasse, pois ela só queria ter oportunidade de acalmar-se perante os acontecimentos.  Armaria uma tenda num dos campos não muito distante do castelo e levaria consigo uma serva e alguns mantimentos.
       Susana então tomou de um alfanje, bem como uma aljava com arco e flechas. Montou em seu cavalo e partiu rumo sua jornada. Confiante mesmo de que em breve poria um fim em todo o tormento que enfrentava ela e o rei seu irmão. Daria cabo de Beliel  e regressaria vitoriosa.



PARTE III


CAPÍTULO I



      A rainha Susana conhecedora do território de Hermagom como a palma de sua mão. Criada naquelas terras desde criança, não foi difícil percorrer trilhas, cortar caminhos, adentrar por veredas e alcançar a referida colina da qual lhe falara Garek em menos de um dia.
     Ao alcançar a colina sem apear do cavalo contemplou o ao longe o castelo de Egolam. Já daí sentiu inundar-se por uma força sobre humana. Seu coração batia agitado no peito só de imaginar que seu querido sobrinho estaria em breve livre das garras do tirano Beliel.
     Percorreu a íngreme colina sondando a possibilidade de chegar ao sopé sem ter que desmontar de seu cavalo.
     Encontrou uma trilha, mas percebeu ser mais prudente fazer o caminho a pé. Desceu do cavalou e segurando as rédeas começou a caminhar por ela.
     Terminada a descida montou novamente no animal e cautelosamente cavalgou até o mais próximo que pode do castelo, de modo que não despertasse a atenção de algum soldado da guarda.
     Quando bem próxima da entrada da castelo parou, desceu do cavalo e prendeu a rédea num galho de uma árvore. Caminhou a pé então se ocultando pelos arbustos até que pode divisar dois sentinelas que faziam a guarda da entrada.
     Susana carregava seu arco e as flechas numa aljava nas costas. Bem como presa a sua cintura encontrava-se o alfanje.

     Sacou da aljava uma flecha e mirando os sentinelas tomou do arco e alvejou certeiro no peito do primeiro a seta. Em seguida antes que o segundo pudesse se mover lançou uma segunda flecha e acertou-o na garganta.
      O caminho para adentrar as portas do castelo estava livre. Susana caminhou silenciosamente a passos mansos e adentrou a sala real ocultando-se atrás de uma pilastra.
       De lá pode avistar o trono de Beliel. Ouviu umas vozes e faltou pouco prender a respiração, temerosa de ser descoberta. Tratava-se do rei Beliel conversando com um de seus escribas. Ele caminhou rumo ao trono, sentou-se e depois de passar suas ordens ao servo dispensou-o.
       Susana então deslizando aos poucos detrás da pilastra onde se ocultava, aproximou-se a passadas silenciosas do trono rodeando-o por trás. Num movimento rápido, sacando da cintura o alfanje, agarrou o rei pelos cabelos e degolou-o com a lâmina da arma mortal.
       Seguiu então por um dos corredores do castelo. Nesse mesmo instante o príncipe Meríades saia de seu quarto rumo ao aposento onde se encontrava preso o príncipe Sidrak. Deu de encontro com Susana e assustou-se.
       - Quem é a senhora, de onde vem? Nunca a vi aqui antes – Foram as palavras de Meríades assustado com a presença de uma desconhecida no castelo.
       Susana então proferiu as seguintes palavras:
        - Eu sou uma mulher desesperada que teve seu sobrinho raptado pelo rei Beliel. E sei encontra-se detido aqui nesse castelo.
       Meríades indagou surpreso:
        - Cara senhora como conseguiu adentrar o castelo? E meu pai se a descobrir aqui nem sei o que lhe fará... Temo por sua vida.
        - Não se preocupe com isso, quem é você sabe acaso onde se encontra detido meu querido sobrinho? – Indagou Susana.
        - Sim sei, acompanhe-me, o único problema é o guarda que quase sempre fica de sentinela na porta do quarto. Tornei-me amigo de Sidrack, só não podia fazer nada para libertá-lo. – Disse Meríades acrescentando – Venha comigo vamos até o aposento onde ele se encontra detido.
        Ao avistar o quarto Meríades disse a ela:
         - Veja é aquele o quarto onde se encontra um soldado mantendo guarda. Ele traz a chave da porta do quarto na cintura.

        Susana sem vacilar sacou de uma flecha e acertou no peito o guarda que caiu morto. Merídes assustou-se, mas não disse uma palavra.
        Juntos os dois caminharam rumo ao corpo do guarda morto. Meríades pegou a chave e destrancou a porta do quarto. Sidrack ao contemplar sua tia Susana atirou-se nos braços dela e ambos choraram juntos de emoção.
        - Rápido meu querido saíamos desse antro. Vamos! O caminho está livre até as portas do castelo. Meu cavalo nos aguarda do lado de fora e em breve estaremos de regresso a Hermagom junto de seu querido pai Medrak.
        Sidrak abraçou o amigo Meríades que disse:
        - Rápido partam daqui. – Temo pela segurança de vocês.
        Susana e o sobrinho deixaram o castelo e logo estavam montados no cavalo. Susana cavalgando e fazendo o caminho de regresso para sua terra.
        Nisso Meríades dirigiu-se ao salão real em busca de ver se o pai estava no seu trono. Foi quando soltou um grito de horror ao deparar-se com a cabeça do pai caída próxima aos pés do suntuoso trono.
          Soltou o rapaz um grito de desespero e cobrindo o rosto com as mãos vergou-se e caiu de joelhos.
      Não demorou muito para que o alarmante grito de horror de Meríades se esparramasse em eco por todos os aposentos do castelo de Beliel. Logo surgiu próximo ao trono a rainha Ília saída de seus aposentos, seguida de guarda real e empregados. A rainha atira-se por sobre o corpo vergado do enteado aterrorizada com a cena que vê. Durante certo tempo aquele cenário trágico como que paralisou o tempo. Aos pés do trono escorria o sangue da cabeça degolada do rei, que chegou mesmo a tingir de vermelho as vestes do príncipe Meríades vergado e ora abraçado com sua madrasta.
     










      Meríades aos poucos consegue se por de pé e, desvencilhando-se do abraço da mulher que tinha por mãe, dá ordem aos soldados da guarda que cerquem todas as saídas do castelo. Estava certo ele que a tia de Sidrak permanecia ainda no interior do castelo junto com o sobrinho. Porém a esta altura já haviam eles conseguido ultrapassar os portões e os guardas não os puderam alcançar.
     O jovem príncipe permanece alguns momentos com os olhos fixos na cena tétrica à sua frente. Sua madrasta apoiada à uma pilastra próximo ao trono, em prantos soltava gritos de pavor.  Do fundo do coração do jovem se ergue então uma ira incontida. Rasga as próprias vestes e amaldiçoando sua sorte, jura vingança ao príncipe Sidrak e sua corte.
     







CAPÍTULO II


    
          Do desespero, ódio e revolta brotados no coração do príncipe Meríades,  brotou no lugar da antiga amizade por Sidrak  uma incontida sede de vingança.
         Foram realizadas as exéquias do rei, bem como todo o território do reinado cobriu-se de luto, embora grande parte do povo em se alegrasse ter vindo abaixo a tirania que o rei Beliel lhes empunha.
         Enquanto isso no território de Hermagom alegrou-se o coração do rei Medrak com o súbito regresso do filho que a conselho da rainha sua tia Susana disse a ele que não participasse ao pai que havia sido ela sua libertadora. O rapaz embora estranhando o pedido da rainha assim procedeu. E houve inclusive festejos promovidos por Medrak o rei.
        Poucos dias após o regresso de Medrak Aneliz a serva teve oportunidade de ter contato com o príncipe pelo qual se apaixonara e ambos passaram a ter encontros furtivos, embora não de todo isento dos olhos atentos de Susana. Mulher sábia e confiante de si acreditava poder mover o coração do rei,  caso este se mostrasse contrário ao encanto que unia os dois jovens.
        Duran é claro estranhou o regresso de Medrak sem um comunicado por parte da trama tecida com o rei Beliel, procurou Garek e este, conforme o prometido à rainha Susana disse em nada desconfiar de como podia ter-se dado o regresso repentino do príncipe ao castelo do pai.
        Então Duran conseguiu contato com os ambientes sagrados do templo para que a sacerdotisa vinda das terras de Beliel ficasse atenta e 
o participasse caso houvesse qualquer rumor sobre o assunto. Isso uma vez que Garek recusou-se, prontamente em ir até as terras de Beliel para trazer de lá alguma novidade.
       

CAPÍTULO III



          Um noviço que servia no templo sagrado passeava pelas redondezas do castelo. Casualmente Duran o avista do umbral de um dos janelões do castelo real. Vai até o jovem neófito e questiona-o se tudo corre bem nos ambientes sagrados, indaga de quais os comentários sobre o regresso do príncipe Sidrak.



          Este então diz que murmura-se um possível acontecimento terrível  no reinado de Beliel. Duran aproveita-se então do ensejo e pede ao noviço permissão para um contato com a sacerdotisa vinda do reino de Egodam. O noviço observou que ela tinha feito voto de silencio.
         Duran então falou mansamente:
         - Ó gentil e dócil neófito não desejo ouvir nada dela. Desejo mesmo falar-lhe. Participar algumas palavras e nada mais.
          O noviço então disse que tomaria providencias para que no início da tarde ela fosse até a fonte do jardim do templo e esperasse por Duran ali.
     
 









Comentários

Postagens mais visitadas deste blog