PARTE IV


CAPÍTULO I


        Aproxima-se em Hermagon o dia dos festejos e cerimônias pela deusa da fertilidade. A sacerdotisa traiçoeira, aliada de Duran, sai em busca de ervas venenosas, a serem  misturadas na taça que será servida ao príncipe Sidrak.
       Conhecedora exímia das artes ocultas, era fácil para ela distinguir  as ervas nocivas das demais. Encontrou umas três variedades, recolheu algumas folhas das duas primeiras. Quando estendeu a mão em busca de alcançar as folhas da terceira, sentiu uma picada repentina em sua mão. Viu por dentre os arbustos o rastejar de uma serpente que acabara de lhe picar. Ávida tomou de uma faca que trazia à cintura, fez um corte no local do ferimento, sugou o sangue com o veneno cuspiu na palma da outra mão. Em seguida apressada macerou parte das ervas no sangue que já lhe escorria entre os dedos. Depois disso rasgou parte de sua veste e envolveu o ferimento do corte na outra mão.

        Misturou num pequeno cadinho que levava consigo as eras e o sangue envenenado pela víbora que a picara e pensou consigo: “Veneno mais fatal que este impossível”.
        Regressou ao templo e tratou de inventar uma desculpa para seu ferimento. Disse que por desmazelo ao cortar flores para ornar os altares sagrados ferira sua mão.
        Chegado o dia dos festejos reuniu-se a realeza bem como todo o povo para participar dos rituais sagrados, das diversões, do banquete farto oferecido a todo o povo pelo rei.
        Duran como dissera, tomou suas providências para que a sacerdotisa de Egodam ficasse responsável de servir as taças com o sumo das ervas adocicadas e o pão levedado aos nobres.
        Os primeiros a serem servidos seriam o Rei Medrak, sua irmã Susana e Duran seu cunhado. Mais três nobres seriam servidos em seguida por pedido de Sidrack, seu amigo predileto e os pais deste.
        Portanto o copeiro do templo supervisionado pela sacerdotisa preparou a bandeja onde depositou as taças. A vestal astuta, sem que o copeiro se desse conta, depositou numa das taças o veneno fatal.
        Memorizou qual era a taça, porém por descuido o copeiro ao lhe passar a bandeja deixou cair duas das taças. Irritada ela por pouco não proferiu um grito de fúria. Veio-lhe o sangue frio e simplesmente disse ao copeiro que providenciasse outras taças.
       Agora pensou consigo: “Que posso fazer a sorte está lançada”. Já se encontrava perante os nobres e teria que servi-los do conteúdo daquelas seis taças. Se uma das duas vertidas da bandeja fora a venenosa tudo correria bem, do contrário haveria alguma tragédia.
      Cada um dos seis nobres beberam o conteúdo de suas taças. Duran não tirava o olhar do sobrinho, aguardando a fatalidade do planejado envenenamento. Porém, foi o amigo achegado de Sidrak que repentinamente vergou-se e caiu ao chão, num estertor agonizante. Do canto de sua boca escorreu uma gosma esverdeada de saliva e seus lábios crispados denunciaram sua morte abominável.


  







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